Pé de Tempo #13
Sobre o aquecimento global e em 2026 ser quente pra diabo.
“No final, é tudo uma questão de aceitar as regras
Abrir mão de algumas coisas para ter outras
Natureza é conflito. Sociedade é submissão
A conveniência se impõe sobre a liberdade
E o poder se impõe sobre a vontade
Quem constrói a verdade controla sua vida.
Cansados de perder, alguns tentam mudar por dentro”
(Colligere)
Está mais quente. Sentimos isso na pele, principalmente aqui em Joinville. E é uma constatação científica também. No ano de 2024, a temperatura média do planeta foi de 1,55 ºC acima do que era no período pré-industrial (1850). Foi algo ligeiramente acima da meta, firmada no Acordo de Paris, considerada segura para a manutenção da vida no planeta como a conhecemos. Esta meta, firmada em 2016, estabeleceu manter o aquecimento global, na média acumulada dos anos, abaixo de 1,5 ºC.
Os últimos anos demonstram que estamos perdendo para nossa própria meta. Em 2025, a média ficou em 1,47 ºC. Embora abaixo da meta, ainda assim foi o ano com a terceira maior média de temperatura desde 1850 - quando a industrialização começou a despejar carbono na atmosfera.
A previsão do Met Office para 2026 não é animadora. Aponta-se que o aquecimento será entre 1,4 e 1,58 ºC. A queima de combustíveis fósseis, grande responsável pelo aquecimento global, continua a todo vapor - literalmente. A consequência é que anomalias climáticas, que aconteciam de vez em quando, passaram a ocorrer com uma frequência assustadora. Estamos vivendo um “novo normal”. Para vocês terem uma ideia, em 2020 a temperatura da Sibéria chegou a alcançar 38 ºC. É a maior temperatura já registrada no Polo Norte. Não é mera banalidade. O derretimento de geleiras na região pode acarretar na liberação de gás metano em grandes quantidades - acelerando o processo de aquecimento do planeta. Com um agravante: a possível liberação de inúmeros vírus e bactérias, como os microrganismos transmissores do carbúnculo.
Mas não precisamos ir muito longe. A elevação do nível dos oceanos terá, em um prazo não tão longo, consequências diretas aqui mesmo no nosso quintal. A região leste de Joinville, assim como várias cidades do litoral catarinense, pode ficar submersa.

É alarmante, não é? Mas enquanto isso, os super-ricos, segundo a OXFAM, esgotaram em 3 dias toda a sua “cota” de emissões de carbono para 2026, limite estipulado para que o planeta se mantenha abaixo de 1,5 ºC de aquecimento. Essa parcela de abastados representa apenas 0,1% da população. Para ilustrar o grau de responsabilidade: cálculos apontam que os 50 maiores bilionários do planeta, em apenas 1,5 hora, emitem a quantidade de carbono que uma pessoa pobre levaria uma vida inteira para emitir.
Não dá mais para fechar os olhos! O que a crise climática está mostrando para a sociedade é que devemos repensar fundamentalmente nosso estilo de vida. E não falo exatamente dos nossos hábitos individuais (a não ser que você seja um super-rico). Falo em pensarmos nossas prioridades políticas, no sentido de colocar a questão climática no centro das nossas escolhas para o futuro - sob o risco de não haver futuro. Cada geração tem uma tarefa histórica. A nossa é a de salvar o planeta!


